Que sera, sera...
*the sick in the head song
Não tenho mais nada a dizer, a música diz tudo, mas basicamente: I must be so sick in the head i need to be bled dry to quit, que nem tem piada.
Timing
18-04-2008
Repara: não há nada que me fascine mais que narizes estranhos - feios até -, dentes desalinhados, meias rotas, dias de chuva torrencial, uma mosca na sopa, um carro que fica sem gasolina numa subida a caminho da reunião importante; todas estas coisas me fascinam, consigo ver a beleza por trás do evidente - do inconveniente - e, sim, pela sua timidez e não evidência, é verdade, admiro-as ainda mais. Mas... repara: há limites para tudo!
Resposta a ti. Ode a nós.
não esperar nada e esperar tudo ao mesmo tempo. mas tudo acontece quando menos se espera. para quê ficar a imaginar? se tudo acontece porque assim tem que ser...
*amigos e fados

caderno 1



Caderno A5, Bic em papel. Eu sou uma pessoa de obsessões. Às vezes encanto-me com uma coisa e não consigo parar de a fazer, deixo até de fazer outras mais importantes: torno-me completamento irracional, tudo o que me interessa é a minha obsessão. Sou assim com muitas coisas... quando umas acabam, outras começam... começou esta.
Parabéns Inês!

A Inês vai a Paris para a inauguração da exposição onde vai estar o cartaz dela (acima).
A Inês está a ficar crescida.
A Inês está a ficar bué famosa.
A Inês foi seleccionada entre mais de 1300 e ficou entre os cerca de 200 seleccionados.
A Inês é fixe.
Eu gosto da Inês.
Tu não?
ah ah!
Estou taaaaaaão orgulhosa!
"Nestle Fitness" ou "Self-Portrait"
CinemArchitecture: seminário internacional
A possibilidade da arquitectura usar o cinema como mais uma forma de representação: o cinema/vídeo podem servir a arquitectura, como serviram até hoje o desenho e as maquetas, depois o desenho e as maquetas assistidas por computador, até às animações digitais. Podemos admitir que seria quase a evolução lógica a seguir, usar o filme como mais um suporte de representação. François Penz, professor da Universidade de Cambridge, passou a exemplificar, com a apresentação dum projecto de arquitectura a partir de animações digitais, como estes suportes são cada vez mais úteis (ou devem ser) para se comunicar uma imagem cada vez mais exacta e realista do projecto. Contudo, como o mesmo referiu, estes meios têm algumas falhas: enquanto a imagem do edifício é bastante satisfatória, a noção real do percurso, da percepção que o utilizador teria a percorrer o mesmo vector, ainda carece aperfeiçoamento (relembrar experiências de Desenho Assistido por Computador no 2º ano, e a câmara a atravessar paredes, pilares, o movimento que soava a falso da imagem).
(não foi este o vídeo apresentado na conferência. retirado do youtube)
Usar o cinema para representar a arquitectura, é aliar representação com interpretação. A imagem filmada é, sem dúvida, o formato mais realista que temos nos dias de hoje para reproduzir um objecto – esperamos ansiosos pelo momento em que os nossos filhos cheguem a casa a dizer “Mãe, hoje fui a uma conferência lá na faculdade chamado Virtual-Reality-Architecture!”, mas até lá…
Esta representação realista, está impregnada de sentido interpretativo e/ou poético e/ou artístico. Dá-nos a noção mais verdadeira e sincera da arquitectura. Faz uma coisa que (oh, e agora os engenheiros que dizem: “a conclusão a que toda a gente chegou foi que cinema e arquitectura não têm nada a ver! Não foi?!” vão ter uma surpresa…) mais nenhuma forma de representação consegue fazer, nunca nesta dimensão e rigor: introduz o elemento humano na arquitectura (já para não falar do poético) duma maneira avassaladora. Permite-nos ter a noção de como o espaço vai ser ocupado e transformado, pelos seus utilizadores e como esta os vai transformar.
A arquitecta Adriana Salvat, de Barcelona, apresentou o seu trabalho de campo duma perspectiva antropológica da arquitectura e do vídeo. Os seus documentários exploram coisas arquitectónicas e urbanas, mas filmadas expondo as alterações que estas sofreram ao longo do tempo pelas pessoas que as vivem, e as alterações que estas provocaram nas mesmas. De notar a interessante experiência que a arquitecta apresentou, onde podemos ver duas imagens em simultâneo: de um lado, a imagem da câmara de um adolescente ao entrar no cybercafe do seu bairro e entrevistando as pessoas que lá estão; do outro, a imagem da câmara do antropólogo que o segue, qual sombra, sem se manifestar. Até os engenheiros do “ah não tem nada a ver” vão gostar desta parte: a arquitecta Adriana Salvat apresenta ainda uma experiência em que se dirigiu a uma zona rural para filmar como se constrói com taipa de pilão (termo que vos deve ser querido e por isso não necessita de explicação…), e conclui de forma entusiasmada como as pessoas de um meio rural se soltaram em frente à câmara, a presença desta incentivou até a interacção, permitindo assim um conhecimento extremamente completo de um sistema construtivo. (engenheiros: contentes?)

Paralelamente existe a noção poética que uma imagem cinematográfica pode produzir da arquitectura. (engenheiros, saltem os próximos 5 parágrafos!) Não só a riqueza da imagem, pelo uso da luz, do contraste e dos enquadramentos, mas também o som e o movimento levam a experiência arquitectónica a uma nova dimensão. Surge uma multiplicidade de possibilidades.
Os enquadramentos, que nos apresentam sempre secções da realidade, por um lado limitam a nossa atenção para um espaço que é ricamente representado, por outro, o que não aparece na imagem é apenas sugerido, deixando ao potencial criativo de cada espectador imaginar possíveis hipóteses para os restantes espaços. O uso da luz, do contraste - da fotografia - sugerem-nos uma forma de ver o espaço extremamente rica. Experimentamos um espaço através da perspectiva empírica de outra pessoa (o cineasta), permite-nos entrar dentro da experiência/impressão arquitectónica que outra pessoa teve de um edifício.

Metropolis, Fritz Lang, 1927.
A montagem é um dos aspectos em que surgem interessantes paralelismos (que talvez possamos chamar “técnicos” ou “construtivos”…) entre as duas formas de arte. (posso usar o termo «arte» para designar a arquitectura porque os engenheiros pararam de ler há 2 parágrafos atrás!) O arquitecto Manuel Graça Dias apresentou uma série de comparações que foram mais ou menos constantes ao longo das palestras. A mudança de planos (cinema) e os elementos de transição entre superfícies: os rodapés, os lambris, as sancas, os perfis… ou, o genérico enquanto elemento de transição interior/exterior: o genérico prepara a pessoa que vem dum elemento diferente para entrar agora num ambiente específico, que lhe é desconhecido, prepara-a para a mudança de ambiente e permite-lhe entrar, de forma suave… (agora substituir «genérico» por «espaço de transição»:é igual! Ah!...) Por outro lado, a forma como o cinema apresenta a acção é muitas vezes (do nosso ponto de vista de arquitecto que estamos sentados no escuro com o som nas alturas com imagenzinhas gigantes que mexem à nossa frente e um balde de pipocas no colo e uma Coca-Cola gelada na mão e - mesmo assim - damos por nós a lembrarmo-nos da arquitectura…) semelhante à nossa maneira de apresentar a arquitectura. A aproximação gradual aos espaços do mais geral para o particular: desde a perspectiva aérea da cidade, passando pela rua onde mora (está implantada a casa) o personagem, subindo até ao piso onde este mora, filmando o quarto, acabando na pinga de suor que lhe escorre pela testa… (quem é que apanhou a referência?)
The Rope, Alfred Hitchcock, 1948.
O movimento foi talvez o primeiro grande motivador do uso do cinema em função da arquitectura. Necessidade que se percebe pela importância de um elemento arquitectónico: o percurso. A arquitectura é feita de percursos, todos sabemos. Le Corbusier, foi o primeiro arquitecto a compreender as mais-valias do cinema para a arquitectura e como este é o melhor meio para explorar a “promenade architectural”. Do vídeo de Le Corbusier, por volta da década de 20, até ao filme Elephant de Gus Van Sant, vai quase um século. E exemplos de arquitectos que usem o cinema/vídeo para representarem os seus edifícios, não existem muitos… o que existem são exemplos notáveis de como o cinema pode transmitir um ambiente de uma forma que nem a experiência física no lugar consegue, experiências não só arquitectónicas mas emotivas, concentradas, poéticas, artísticas, ricas…
Os aspectos acima mencionados são evidentes e exacerbados neste excerto, onde a promenade architectural de Le Corbusier é transformada numa belíssima visão pessoal (neste caso até reforçada visto que temos o ponto de vista do realizador conjugado com o ponto de vista da personagem), dá-nos uma noção quase antropológica de como aquele espaço arquitectónico é vivido, e, ao mesmo tempo, um pequeno extra que é o uso genial da banda sonora, da luz, dos enquadramentos, do movimento da câmara, dos slow-motion… transformam este percurso numa experiência (também arquitectónica) realmente emotiva. E antes do excerto, fica a frase do arquitecto Luís Urbano, em tom de mote para reflexão: “eu nunca chorei ao entrar num edifício, mas já chorei a ver um filme.”
Elephant, Gus Van Sant, 2003.
Manuel Graça Dias terminou a sua palestra com a sugestão de 7 filmes (hurray!!), interessantes exemplos desta relação arquitectonicocinematográfica. Aqui ficam:
PLAYTIME, Jacques Tati
METROPOLIS, Fritz Lang
BLADE RUNNER, Ridley Scott
PULP FICTION, Quentin Tarantino
NORTH BY NORTHEAST, Alfred Hitchcock
2001 : A SPACE ODISSEY, Stanley Kubrik
WEEKEND, Jean-Luc Goddard
P.S.: E para quem argumenta que “é perfeitamente possível fazer arquitectura sem cinema”, lembrem-se que também é perfeitamente possível fazer casas sem arquitectura. :)
*CinemArchitecture 1


Paul Paper





Paul Paper lives in a small strange city of Vilnius, Lithuania where he daydreams, sleeps, walks, eats and sometimes takes pictures. Paul has seen plastic money twice in his life and is surely a bit more happy after that. He enjoys birds and parks, girls and boys. He makes small books, box of postcards and exhibitions, but no art, we are afraid. Sometimes in winters he can be found in bed reading books about old travelers. People, nature and creativity are three main things that inspires him.
Paul Paper is available for a commission work, but only if he likes it. So far he enjoyed working with musicians, book publishers, designers, curators, everyday-life-comedians or just easy-blushing people the most. From animals he finds cats and birds to be a very nice company.
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