Oslo (15)

Um dia vão ter que me perdoar a minha obsessão exagerada...




Verão em Oslo...


...que chato...

casava-me


Alguém me arranja o Josh Rouse, lhe rapa o cabelo para eu me conseguir apaixonar, e mo entrega aqui em casa para eu ser feliz para sempre - sorriso matinal incluído e aliança, no dedo em que é suposto estar a aliança, também?
Para ele também era fácil, bastava-me que ele vagueasse pela casa - e, é claro, eu ia esperar dele as mesmas coisas que esperaria (acrescentar verbo "esperar" em todos os tempos verbais) de qualquer outro homem, e, é claro, ele ia falhar em todas elas de forma redundantemente explícita, mas bastava-lhe - e muito rapidamente, devo acrescentar - colocar-se atrás do sofá onde eu estaria sentada de pernas à chinês, agarrada à almofada, a fazer movimentos autistas com o maior beicinho do mundo e começar a cantar Under Your Charms. É que bastava-lhe isto, e a mim também, para sermos felizes...

Oslo (14) by eBoy

Um dia vão ter que me perdoar a minha obsessão exagerada...



em Eboy

Lara

Sabes que fiquei sem rato, e eu até queria muito trabalhar mas não tenho scroll... e tu estás daquela ressaca que já passou há umas quantas horas mas perdura-se-lhe a memória que é como quem diz que se arranja uma desculpa para não fazer mais nada que não seja divagarmos no papel.
Eu pego em papel de cenário enquanto tu seguras o volante: estendo-o pelo pára-brisas e com um lápis começo a riscar com traços largos e soltos: desenho formas que são plantas, e depois um corte; rabisco um percurso e marco melhor um momento, para ter a certeza que percebeste. "Agora seguro eu no volante", e seguro, estico-me por baixo dos teus braços, tento manter o carro direito enquanto tu riscas por cima dos desenhos, desenhos quase iguais, com um traço ligeiramente diferente... e é mesmo isto!, percebemos sem grande ânimo, enquanto o carro anda sozinho - tirando aquelas partes em que tu endireitas um bocadinho o volante, só de vez em quando, porque a direcção está meio desafinada - mas a maior parte do tempo vamos ali as duas, levadas pelo teu carro, com as mãos tombadas no colo, a cabeça ligeiramente inclinada - tu para a esquerda, eu para a direita-, a olhar para o papel que cobre o pára-brisas com as nossas vidas explicadas, e no tempo de chegarmos a casa percebemos que, não é mais nada, é só mesmo isto...


- ...então e amanhã...?
- Amanhã venho cá tomar o pequeno-almoço, pode ser?

She says...


"Não, não vou sair..." hoje era só eu e os meus demónios, acho que era esse o propósito inicial apesar de só o ter percebido agora, que já passou quase todo o tempo que tinha reservado para isso.
Apercebo-me destas coisas quando me deito de lado, a luz mexe e corre as paredes em círculos protectores com cavalos e borboletas e estrelas e meias-luas que crescem e mingam conforme contornam as esquinas e as superfícies em alçado das paredes do quarto, num amarelo que é dourado, dourado do cheiro do bolo acabado de fazer num dia de inverno em casa da avó.
Um dia vou-te voltar a encontrar, a Ani garantiu-mo, e agora que a outra não me diz estas coisas, é a Ani que me assegura que, um dia, te volto a encontrar: e a chuva há-de manchar o asfalto dum preto mais escuro, e há-de manchar os tijolos dum vermelho mais escuro, e tu hás-de te parecer com uma fotografia tua, tirada de muito muito longe..., e eu não hei-de ter nada para te dizer. Não existe sensação mais confortante que não ter absolutamente nada para dizer.
Entretanto o quarto está preto, a luz azul da televisão é a única que mexe, e eu pego no computador, crio uma pasta com as músicas todas que ela me passou ontem à tarde, e carrego no play...
- ...a que conclusão é que cheguei?!
[...]
- Acabei por não pensar nisso...



© foto: Simon Brambell em Sang Bleu

Há qualquer coisa de extremamente triste em saber-te aqui tão perto e que, ao mesmo tempo, te colocas tão longe.

T-shirts de algodão


Baby, és a minha t-shirt favorita.
Principalmente quando és uma pessoa insensível.
E me deixas 15 chamadas e 20 mensagens no telemóvel.
Preocupada, que eu já não goste de ti.
ah ah
:)



© fotos: Erez Sabag

esfolado

Sabes aquela sensação, quando olhas para o teu joelho esfolado que magoaste anteontem quando tentavas andar na bicicleta nova sem rodinhas, e a crosta que cobre a tua ferida olha para ti, e tu olhas para ela: não consegues não olhar para ela!
Sentas-te no sofá a ver os desenhos animados, vais à rua com a mãe, fazes de tudo para resistir à vontade de a arrancar, tentas-te distrair com as tuas coisas preferidas mas ela volta-te sempre à cabeça. Até que chega a altura em que ela te apanha sozinha e o transe criado pela ausência de qualquer dor no joelho fica mais forte. É aí que te deixas acreditar no que queres, convences-te a ti própria de que já estás sarada, e ignoras a voz na tua cabeça que te enumera todas as consequências de cederes: só para, debaixo daquela mancha feia, dura e escura que te estava a proteger, descobrires a ferida que fizeste anteontem, em carne viva ainda a latejar.

Sabes essa sensação? Tenta restringi-la ao teu joelho.
LastFm





Ok, não sei como reagir.

Fomos a semana passada (?) ver Cat Power (leia-se Chan Marshall) ao Coliseu.

Para quem não viu os vídeos (ou o concerto) deixem-me tentar explicar:

Passaram 8 dias...

...e não há nenhuma vez que o itunes abra e a primeira música que começa a dar não seja Cat Power.
... o meu LastFm já recebeu bocas por todos os lados
... dou por mim a dançar na cozinha como ela
... gosto AINDA mais do meu corte de cabelo
... e do meu sinal
... na mala do meu carro jaz 60% dum cartaz gigante do concerto que meio embriagadas (algumas com algo mais que o concerto...) tentamos arrancar da parede.

A Chan Marshall é uma personagem como eu não me lembro de ter encontrado. Damos por nós a revê-la, sem querer, quando o sinal está vermelho... e se ainda tivesse Teoria Geral da Organização do Espaço, tenho a certeza que durante uma aula prática qualquer também. A voz dela, depois de a ver ao vivo, tem 4 dimensões e 5 e 6 e 20!...

Sim, é verdade, não tenho alternativa senão admitir: sou meio lésbica. Estou apaixonada pela Chan Marshall!

É por isto tudo que fico indignada quando dou de caras com uma coisa destas e depois leio esta "homoerotic story"(sic) da treta!!!, que nem consigo perceber se foi realidade ou ficção e que, ainda por cima, sendo verdade, foi protagonizada por uma vaca - que não tem outro nome - e que nem sequer sabia quem era a chan marshall! E ela cai-lhe assim no colo... assim...! (neste momento o Nick Carter e o sentimento de ódio que sentia por cada uma das meninas que apareciam na primeira fila dos concertos dos BSB vem-me à memória)

Leiam por favor esta "homoerotic story"(sic) da treta: digam-me o que pensar disto... caso não tenham pachorra, deixo-vos aqui um excerto da minha indignação, para tentar salvar a minha reputação e não parecer uma adolescente histérica.

Breves notas para melhor compreensão do texto:
a palavra fart quer mesmo dizer
FART.
e trombonesque quer dizer... relativo a... bem... um trombone.

"After breakfast we said our goodbyes and she waved sweetly at us out the window of a friend's car, letting out a trombonesque fart before peeling out of the parking lot with her hands out the sunroof. It was a strange way to say goodbye, but I had to hand it to her; she had it, that thing everyday people do not have: the ability to turn a stranger into a lovesick teenager. And for that, she is our crush of the week. — Rebecca Woolf"





(...e neste momento está uma fã do Roberto Leal a chorar, num close-up na minha televisão... e eu sinto que não tenho moral para gozar com ela. antes pelo contrário: estou solidária)

YSL

Yves Saint Laurent
1883 - 2008





foto: The New York Times

Loja do Cidadão

Não há nada como ir à Loja do Cidadão num sábado de manhã até às 15 hs para descobrirmos aquela experiência de revelação introspectiva, que nos deixa conhecer, finalmente, de forma clara e sem estranheza alguma, quem realmente somos. É uma viagem de auto-conhecimento!

E lá fui, calmamente, com os headphones nos ouvidos, completamente alheia à experiência de revelação pessoal magnífica que me esperava...

Tirei a senha, esperei os meus 20 minutos no meio das famílias inteiras que se lembram de ir tirar/levantar o passaporte num solarengo sábado de manhã, e lá chegou a minha vez... calhei no senhor simpático (sim, tinha estado a estudar com atenção os 3 funcionários e o da mesa 1 ficou rapidamente o meu preferido) entrei confiante, afinal, estive 10 minutos hoje de manhã a treinar a pose SEM SORRIR em frente ao espelho, o que é que podia correr mal?

Até tinha levado dinheiro para pagar (60 euros: autch!) o que foi muito bom, como o senhor da mesa 1 me disse "Calha mesmo bem isso. (pausa de 10 segundos estranhamente longa) ehehe sabe porquê? o multibanco está fora de serviço!". Tudo em ordem, lá me pus de pé em frente ao ecrã para tirar a foto e aqui começa tudo a correr mal:

- Ponha o cabelo atrás das orelhas por favor.

OH NAO! Eu não treinei a pose com o cabelo atrás das orelhas! Lá tive que repetir a foto porque na primeira parecia que sofria de paralisia cerebral, mas eventualmente o processo acabou.

"Faça o favor de conferir os dados por favor."

E quando eu me levanto para conferir no ecrã high-tech, o senhor que agora já não me parecia assim tão simpático dá um salto na cadeira, leva as mãos à cabeça e grita (grita, juro!):

"OH QUE CARAÇAS! ESTÁ TUDO ESTRAGADO! Pronto... não vai poder tirar isto hoje... isto tá tudo mal! Oh pa..."

"Passa-se alguma coisa?" (ironia)

"Ora veja lá aí nos dados se não está nada estranho..."

E foi aí que os meus olhos começaram a percorrer o ecrã: "morada? correcta... nome? correcto... hm... está tudo bem, tudo bem..." - até que cá em baixo, no canto inferior direito, os meus olhos começam a focar alguma coisa estranha até que finalmente se podia ler em maiúsculas: MASCULINO.

"Ah... eu não sou um homem, não."

E ficou pior. Isto não foi erro do senhor meio tresloucado do departamento do Governo Civil. Que o meu sexo é MASCULINO é informação que consta nos arquivos do Bilhete de Identidade, está no "SISTEMA"!!! Sempre que alguém procurar a minha pessoa e introduzir o número do meu B.I., automaticamente aperece a informação de que eu, Joana Gomes, a mair odiadora, com o maior desprezo mortal aos homens, sou, ironicamente, um HOMEM.



...isso explica muita coisa.

Oslo (13)

Um dia vão ter que me perdoar a minha obsessão exagerada...



TOMEM TOMEM!!

"Oslo was set to be one of the warmest cities in Europe this weekend, with temperatures exceeding those in Barcelona and Madrid. Sun-starved Norwegians were already flocking outdoors even before the weekend got underway."

by Ricardo

Oslo (12)

Um dia vão ter que me perdoar a minha obsessão exagerada...



Frozen Oslo S from Trygve Lie on Vimeo.